Chegada em Montréal

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Início oficial do inverno

Hoje é o dia em que o inverno começa oficialmente, apesar do frio ter chegado bem antes dele. Então, para comemorar a chegada do inverno, um post totalmente dedicado a ele.

O dia está relativamente "quente": mínima de -2°C e máxima de -5°C, sem neve e sem chuva. Ou seja: um bom dia para passear e curtir a chegada do inverno, se não tivéssemos que trabalhar, é claro.

Desde o início do outono começa a esfriar e temos muita variação de temperatura. Dia primeiro de dezembro chegamos a ter 13°C e no dia 6 estava -6°C, por isso a previsão meteorológica aqui é muito importante. Eu não saio de casa sem consulta-la, mesmo porque dentro de casa não temos noção da temperatura que está fazendo do lado de fora. Meu site mais consultado é, com certeza Meteomedia, que olho mais que meu e-mail.

O inverno, para algumas pessoas, é muito ruim, para outras é maravilhoso e para algumas é apenas mais uma estação para aproveitar. Acho que me encaixo na última categoria. Como não faço snowboard e nem ski na neve, não posso dizer que aguardo ansiosamente a chegada do inverno e que amo de paixão. Mas também não desgosto, na verdade acho uma estação deliciosa e diferente. Gosto de aproveitar para escorregar na neve, tirar belas fotos, patinar no gelo, tomar capuccino quente no Tim Hortons, ver a neve cair... e diversas outras coisas que só fazemos nessa época do ano.

A neve não me incomoda, nem quando está caindo nem quando está na rua e tenho que andar sobre ela. Na verdade é como andar na areia, mas o que muita gente (que nunca viu um lugar com neve) não sabe, é que a neve nem sempre é branquinha e bonitinha. Na verdade, os carros passam e sujam a neve na rua, que fica cor de lama. Quando o tempo esquenta a neve começa a derreter por baixo e escorre uma camada de água na rua, as pessoas pisam, os carros passam... e em consequência a neve perto das ruas vira uma "laminha", fica suja e feia. Porém, isso só acontece quando a neve está derretendo, no resto do tempo as ruas permanecem secas normalmente, apesar de que, na beira da calçada a neve é sempre suja. Também acontece de, durante o dia a temperatura esquentar um pouco e se chegar perto de 0°C a neve derreter, mas durante a noite a temperatura cai novamente e a camada de água que tinha se formado na calçada congela formando uma fina camada de gelo, que muitas vezes nem vemos e por isso mesmo ficamos escorregando. Dessa parte de cair eu realmente não gosto. Mas é claro que isso não acontece sempre e até agora, desde quando começou a nevar, só levei uma queda.

Mas, ao mesmo tempo em que a neve nas ruas é feia, nas calçadas, quintais, teto das casas e nas plantas é linda, linda, linda! Quando o dia está ensolarado, então... é um sonho de tanta beleza. Vale a pena sair na rua só para admirar.


destaque para o chão, a "laminha" que fica quando a neve derrete e os carros passam

Contraste: neve branquinha e neve "suja" onde as pessoas andam

Uma linda paisagem de inverno na cidade de St-Sauveur

Outro contraste: neve branca no parque, mas a que foi retiada da rua está suja

Outra paisagem bonita. A neve é realmente muito linda


Outra coisa interessante: quando o dia está assim meio triste, nublado, nevando... geralmente não está muito frio, não (para os padrões daqui, pois com não está muito frio quero dizer que está  acima de -10°C e não com uma temperatura acima de 0°C). Mas quando está aquele lindo dia de sol, céu azulsíssimo, podemos ter certeza que está frio, bem frio! A explicação é simples: as nuvens retem o "calor" na atmosfera e quando não está nublado o calor se dissipa.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Transporte público em Montréal

O transporte público daqui, em comparação com o do Brasil, é muito bom. Porém, há muita diversidade entre os horários de ônibus: em alguns locais os ônibus passam a cada 5 minutos, em outros a cada hora. O ônibus mais perto da minha casa passa a cada 25 minutos (e muitas vezes ele atrasa, já tiveram vezes nas quais ele simplesmente não passou), mas se eu caminhar dez minutos pego um ônibus que passa a cada 5 minutos. A lógica é que um ônibus não deve rodar superlotado, então, quanto mais clientela, mais ônibus disponíveis naquela linha.

Vou tentar explicar como funciona o sistema de transportes daqui: existe um cartão (estilo Riocard) que podemos pagar por: bilhete único, seis bilhetes, dez bilhetes, semana ou mês. A taxa é fixa para o período escolhido, paga-se um valor independente da quantidade de transportes que for pegar. Com esse cartão fica muito fácil a locomoção, pois podemos entrar em quantos transportes quisermos e quantas vezes forem necessárias sem pagar a mais por isso, fazendo a integração ônibus-metrô (para incluir o trem pagamos 9 dólares a mais, mas só começamos a andar de trem quando mudamos para a casa nova). Os ônibus não circulam como no Brasil, eles fazem um caminho pequeno, geralmente em linha reta e em uma mesma rua (as ruas daqui são enormes e atravessam vários bairros), isso faz com que o transporte seja bem rápido e eficiente, por isso é comum combinarmos ônibus-metrô ou ônibus-ônibus. Em cada ponto de ônibus tem o horário em que o ônibus passa naquele ponto e dentro dos ônibus tem os panfletos com o horário em que o ônibus passa nos principais pontos, então fica fácil calcular os trajetos e não ficar muito tempo esperando. Se tivermos celular é só passarmos uma mensagem para a STM (empresa de transportes) no numero 52786 com o número da linha e o número do ponto de ônibus que recebemos o horário em que os três próximos ônibus passarão. Por exemplo, se quero saber o horário em que o ônibus 92 passará no ponto 56095 é só escrever no corpo da mensagem: 9256095 (assim mesmo, tudo junto) e enviar para 52786. Em uns 2 segundos recebemos a mensagem com os horários. Por isso já deixei gravado no meu celular os números dos pontos de ônibus que utilizo habitualmente.
Placa fixada no ponto do ônibus


Nas estações de metrô também tem os panfletos e em algumas tem o mapa da cidade (que é distribuído gratuitamente nos guichês, basta solicitar a um atendente). Nesse mapa tem o trajeto de todos os ônibus, metrôs e trens e assim é praticamente impossível não conseguirmos ir de um lugar a outro com facilidade. Uma das coisas que tive medo quando cheguei aqui era de me perder nas ruas e não conseguir pedir informações, mas não tem nenhuma chance disso acontecer por aqui, porque a cidade é muito bem planejada, as ruas são certinhas e os trajetos marcados no mapa são muito bons. Uma coisa com a qual nos acostumamos fácil é achar tudo muito perto, primeiro porque geralmente todos os bairros tem mesmo tudo perto e depois porque se não tiver é só pegar um ônibus e voltar rapidamente, é tão natural que parece até que estamos indo ali na esquina (lembrando que pagamos o bilhete do transporte uma única vez e não faz diferença se, durante o período que foi pago, pegarmos 300 ônibus ou apenas 1).

Valores das passagens (em dezembro/2010):
Bilhete único (vale por 90 minutos, para ônibus e metrô): 2,75 (fazemos integração)
6 bilhetes: 13,25
10 bilhetes (se vc andar 2 vezes por semana apenas, por exemplo, vale a pena): 21,00
Semanal (vale até o domingo, mesmo se vc só comprar na sexta): 20,50
Mensal (vale até o último dia do mês vigente, para quem chega no meio do mês é melhor comprar semanal): 70,00
Trem unitário: 4,00 (zona 1)
Mensal com trem incluso (compra na estação central de trem, não no metrô): 81,00 para a zona 1.
Estudantes até 25 anos pagam tarifa reduzida e o cartão tem foto. Na primeira vez é necessário pagar pelo cartão com foto (35,00 + valor da recarga reduzida), mas depois é só recarregar. É muito fácil e rápido fazer o cartão. Para quem vai pegar o cartão comum precisa pagar 3,50 + a primeira carga, depois é só ficar recarregando.
Obs.: o “train de banlieue” (trem) cobra taxa por zonas. A minha é a zona 1, que circula pelo centro e arredores. A 2 vai mais além e a 8 é a mais distante que tem, para outros municípios. Cada um só paga pelo que precisa, assim quem viaja para longe paga mais caro do que quem viaja para perto. Para o trem existe um programa de bônus: se fizermos uma recarga automática pelo cartão de crédito durante 12 meses, pagaremos apenas 11, o décimo segundo mês é gratuito. Sendo assim, pagaremos 891,00 para um ano de uso de ônibus, trem e metrô  e se fizermos apenas ônibus e metrô pagaremos 840,00. Por isso, para quem mora perto das estações de trem, vale a pena pagar um pouquinho a mais e poder usufruir o ano inteiro.

O cartão do sistema de transporte se chama OPUS e o site é: http://www.carteopus.info/.

No site há muitas e muitas informações, trajetos, horários e itinerários.

No site abaixo podemos ver os mapas da cidade. O mapa que tem todos os transportes e nós recebemos é o primeiro da lista (le plan du réseau). Nós podemos pegar esse mapa gratuitamente nos guichês dos metrôs.
http://www.stm.info/info/plans.htm

Comentários que não posso deixar de fazer:

- os motoristas dos ônibus são, na maioria das vezes, muito simpáticos (nunca vi um que não fosse, mas devem existir, com certeza).
 - nunca um ônibus deixará de parar em um ponto para pegar um passageiro, principalmente se este for estudante (digo isso porque no Rio os alunos saíam da escola e ficavam muito tempo no ponto esperando a boa vontade de algum motorista, pois muitos não param para estudantes). Basta estar no ponto que o motorista irá parar, não fazemos sinal com a mão.
- se uma cadeira de rodas ou carrinho de bebê vai entrar no ônibus, todos esperam calmamente, ninguém faz cara feia. Aliás, entrar carrinho de bebê no ônibus é algo super normal.
- os ônibus mais antigos tem escadas e nos panfletos com horário dos ônibus vem especificado quando há um ônibus assim circulando, pois os cadeirantes não poderão entrar. A maioria dos ônibus não tem escadas, mas ainda circulam desses.
- não existe cobrador no ônibus e o motorista não recebe nada, se a pessoa não tiver bilhete de passagem e for pagar na hora, fará isso diretamente na maquininha que fica na entrada do ônibus, mas se não pagar com dinheiro exato também não receberá troco.
- entra uma pessoa de cada vez no ônibus, no maior respeito. Ninguém empurra ou fala para o outro ir mais rápido, mesmo se estiver chuvendo ou nevando.
- só podemos entrar no ônibus pela porta da frente, mas podemos descer pela frente ou pela porta de trás. Se descermos pela porta de trás, somos nós mesmos quem a abrimos, através de sensor de movimento que o motorista ativa apenas quando o ônibus para em um ponto. Se alguém vai descer pela porta da frente, quem está do lado de fora espera até que todos desçam para poder entrar no ônibus.
- o ônibus não param fora do ponto, não adianta insistir. Mesmo que você queira descer e esteja parado em um sinal, a 5 passos do ponto, ele não vai abrir a porta. Assim como não parará fora do ponto para te pegar, mesmo que você esteja congelando embaixo de uma tempestade de neve, caminhando para o ponto e fazendo sinal de que gostaria muito de entrar ou correndo como um desesperado porque está atrasado (alguns motoristas param no ponto e esperam até que você chegue lá, mas não param fora do ponto). A única excessão a essa regra é uma outra regra que existe: uma mulher desacompanhada, depois das 19h pode pedir para o motorista parar fora do ponto para descer o mais próximo possível de sua residência.
- ninguém pede para segurar nossa bolsa, mochila, etc. Cada um que carregue a sua :-(    Obs.: estamos mudando isso com nossos amigos e ensinando o "jeito brasileiro" de ser solidário no ônibus :-)
- nem todos os pontos de ônibus tem uma cabine para proteger do vento e da neve. Geralmente, se estamos no inverno e o ônibus levará mais de 5 minutos para passar, caminhamos até um ponto que tenha uma cabine, principalmente se estiver ventando. Se por acaso o ponto de ônibus for visível de dentro de uma loja ou de dentro do metrô, é lá mesmo que ficamos esperando.


Cabine de ponto de ônibus


domingo, 19 de dezembro de 2010

Último dia da capoeira

Dia 31 de dezembro termina o projeto "Uma homenagem ao Brasil" na academia, mas como o próximo domingo será dia 26, hoje já foi o último dia de aula da capoeira, que é só aos domingos.

E, para melhorar, Grey estava presente porque não trabalhou pela manhã, só a noite.

Acabamos fazendo uma rodinha, ao som do rádio mesmo. Tinham só 6 pessoas: três adultos e três crianças, mas foi divertido.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Boliche


Hoje tivemos nosso 3º encontro da comunidade "Les Cariocas au Québec", organizado pela Patrícia no boliche de NDG. Muito bom mesmo, nos divertimos demais e jogamos até cansar. Alugamos três pistas com 5 pessoas em cada uma, mas na minha pista fomos apenas 4, pois a quinta pessoa faltou.

Nesse boliche, obrigatoriamente temos que alugar o sapato, que não é caro e vem bem desinfetado, mas na verdade preferia utilizar meus próprios calçados :-(

Vamos aos valores: a pista para duas horas de uso, mais os aluguéis dos sapatos, saiu a CAN 44,00. Dividindo esse valor pelas quatro pessoas, cada um pagou CAN 11,00 para jogar duas horas. Cada pista dá para seis pessoas, então para um grupo de seis com duas horas de uso, o valor individual sairia a CAN 7,93. Bem razoável.

No boliche tem máquinas de refrigerante (suco e água também) e chips, mas achei o valor da latinha alto: CAN 2,25. Tem também uma lanchonete que vende sanduiches e refrigerantes, mas quem quiser pode levar seu próprio refrigerante ou água para beber lá.

Seguem fotos da nossa bagunça:
Eu e Vivian

Manda ver, Allan

Só fazendo pose antes de jogar

Um pouco da galera

Eu e Allan




segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Apresentação de Monografia de Anne

Hoje, minha postagem é para expressar meu orgulho por ter uma sobrinha que, além de linda, é muito inteligente!

Ela está se formando em enfermagem e hoje foi o dia da apresentação de sua monografia, baseada em um trabalho de campo envolvendo enfermagem, saúde mental e literatura de cordel (um projeto inovador criado por ela mesma) e, embora eu não pudesse estar presente, mesmo à distância meu pensamento estava lá, torcendo por ela. Recebi um e-mail agora há pouco relatando como foi a apresentação e ela disse que a banca examinadora elogiou bastante e ela recebeu a nota máxima: 10!

Então, só me resta dizer PARABÉNS, minha princesa! Sempre acreditei que seu esforço não poderia ser recompensado de outra maneira. Você é motivo de grande orgulho para toda nossa família.

Adivinha? Já fui no orkut roubar umas fotinhas para postar aqui hehehe.


Galerinha que foi prestigiar a apresentação


A alegria de se despedir com uma nota de ouro: entra uma acadêmica e sai uma enfermeira!


Começando a brincar na neve novamente

Finalmente caiu a primeira neve de verdade e nós fomos nos divertir no parque Mont-Royal com a família Netto. Brincamos tanto que esquecemos de tirar mais fotos. Seguem algumas:

Tati, Henrique e Lelê

Me acabando na neve

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sábado, 17 de julho de 2010

Trabalho - Grey

Descolei meu primeiro trabalho. É como garçon num restaurante de uma residência para idosos que se chama L'Image d'Outremont. Consegui através da indicação de um amigo (Caio) que já trabalha no restaurante. Comecei no dia 8-julho-2010. A entrevista foi por telefone mesmo, mas foi bem sucinta. Dei sorte, o chef precisava muito de alguém para começar no próprio dia 8. Já havia conversado duas vezes com ele antes, mas rapidamente pois ele estava enrolado contratando um novo cozinheiro.
A residência é de alto nível e pode-se dizer que o padrão do restaurante é de 4 estrelas. A maioria dos residentes é bem simpática e o bom é poder treinar o francês com pessoas daqui. Tem dias que são mais tranquílos, mas tem dias que são bastante corridos. Comecei trabalhando durante toda a semana, mas a intenção é de trabalhar apenas no fim de semana. Vou deixar a semana livre para estudar.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Francisação Grey

Como Leide comentou, eu comecei minha francisação no nível 3. A primeira aula foi uma aula de revisão, que serve para o professor avaliar o nível da turma (os que vieram do nível anterior) e saber se os alunos que foram encaixados pelo MICC estão realmente no nível correto. Senti bastante dificuldade nesta revisão e mesmo quando sabia a resposta, as vezes não sabia explicar o porquê e isso me incomodou bastante, já que a maioria da turma sabia do que estava falando. Por isso resolvi pedir para voltar para o nível anterior e a professora concordou. Cursei apenas dois dias no nível 3 e no terceiro dia já estava na turma que acompanharia até o final do curso.

No nivel 2 meu professor foi o M. Gaétan Roy (québécois) e a monitora foi Jennifer Pocart (francesa). Os dois trabalhavam muito bem juntos. Apesar serem québécois, os professores sempre utilizam um francês standard. Logo não há nenhum problema quanto a dificuldade de compreensão. O M. Gaétan gostava muito de brincar com esse receio do imigrante quanto ao sotaque québécois e as vezes ele falava com o sotaque de sua cidade natal (do interior do Québec) apenas para termos uma noção do que poderíamos escutar saindo de Montréal.

No nível 3 tive duas professoras, Mme. Marie-André e Mlle. Valerie (ambas québécoises). Mlle Valerie nos dava aula apenas as sextas-feiras pois Mme. Marie-André estava para se aposentar e num processo de transição daqui, quem está nesta fase passa a trabalhar apenas 4 dias por semana. Nosso monitor foi M. Richard (québécois, o mesmo que a Leide teve no primeiro período).

Pouco antes de terminar a francisação, quem quisesse deveria se inscrever para fazer uma prova e continuar com o francês escrito ou francês oral (um nível mais avançado focando em uma ou outra competência). Tanto eu quanto alguns alunos de minha turma e muitos e muitos outros de vários locais diferentes se inscreveram. Fizemos a prova, que era composta apenas de uma redação, e na semana seguinte tivemos a surpresa de que o governo cancelou as turmas de francês escrito. Fizemos manifestação em frente ao ministério, mas não adiantou nada.

Solução: ir para a Comissão escolar. A diferença é que assim não recebemos bolsa de estudos durante o curso. Cursei em Outremont High-Scholl. Fiz uma prova de nivelamento e fui classificado para o último nível. Este curso também foi muito bom.

Francisação Leide

Fizemos nosso teste de francisação no dia 01/10/09. No momento da minha entrevista uma das primeiras perguntas foi se eu queria estudar em tempo integral ou parcial. O parcial era no período noturno e o integral no diurno (8:30 as 16:30). Escolhemos o integral porque dá direito a bolsa (nós recebemos 23,00 por dia de estudo, mas se faltar não recebe e se tiver feriado também não).
Podemos fazer a francisação em três tipos de estabelecimentos: comissão escolar ou ong (para quem não fez faculdade em sua formação), CEGEP (para quem tem até 15 anos de estudos), faculdade (para quem tem 16 anos ou mais de estudos). O agente procura nos encaminhar para o local mais próximo de nossa residência e nós podemos mudar se quisermos, é só pesquisar antes da entrevista. Ele me enviou para o CEGEP que escolhi e a entrevistadora do Grey fez a mesma coisa, por isso nós dois estudamos no mesmo local, no CEGEP Bois-de-Boulogne.
Eu fui classificada para o avançado um, Grey para o avançado três, e as aulas começaram dia 03/11/2009. Quando Grey começou a estudar ele pediu para retornar para o segundo nível, pois mesmo falando bem, sentiu falta de entender a gramática e sabia que isso seria prejudicial mais à frente. Conhecemos pessoas que já falavam bem o francês e optaram por fazer uma faculdade ou mestrado e agora sentem dificuldades na hora de escrever monografia/tese, justamente por causa da falta da gramática.
Eu achei a francisação muito importante e útil. Nos ajudou a entender um pouco a cultura e a fazer amizade com pessoas de outras nacionalidades. É claro que o aprendizado depende muito do professor, mas a francisação tem um programa a ser seguido e por isso os professores não ficam enrolando, eles realmente ensinam. Alguns são melhores que os outros, sem dúvida alguma.
Quando estudamos na francisação aprendemos a gramática da língua, não só a falar como na rua. Isso faz uma grande diferença para quem deseja estudar depois.
A idéia seria Grey entrar em um curso do CEGEP pedindo "prêt e bourse" depois da francisação. Eu pretendia começar a trabalhar, mas para isso precisaria também melhorar o francês, então me dediquei a isso. Durante a francisação não procuramos trabalho, mas vimos que tem muito para quem vai trabalhar fora da área, em vendas, caixas de mercado...
Nós nos programamos para conseguir ficar sem trabalhar e nos dedicarmos aos estudos, tentamos economizar de várias formas, mas topamos alguns trabalhos para ganhar um dinheiro extra e não mexermos no dinheiro do Brasil (mas só trabalhos que não nos impediram de estudar). Essa parte descreverei no tópico “trabalho”.
Estudei meu primeiro período na francisação com madame Noëla Thomas (natural do Québec) e o monitor foi monsieur Richard (também natural do Québec). Madame Noëla foi uma das melhores professoras que já tive até hoje (ela estava se aposentando e era seu último ano de trabalho). Me identifiquei com sua metodologia e evoluí rapidamente, não só eu, como toda minha turma. Ela nos fazia trabalhar forte e avançamos muito no conteúdo, tanto que todos se admiravam que nossa turma ainda estivesse no primeiro período.
O segundo período foi com madame Denise Coutu (natural do Québec) e a monitora foi madame Brigitte Crevier (natural do Québec, mas cresceu na França). No início do segundo período teve premiação para os alunos destaque e tanto eu (na minha turma) quanto Grey (na turma dele) fomos escolhidos como destaque. Foram nossos professores do período anterior que nos escolheram. Esse período foi bem mais fraco que o primeiro e madame Denise focava muito nos verbos, praticamente não falávamos ou escrevíamos, geralmente só nos exercícios ou nos ditados (uma vez por semana). Mas nossa monitora era excelente e acabava nos ensinando alguns conteúdos que sentíamos necessidade, por já termos avançado no primeiro período. Perto do fim do período, reuni a turma para fazer um abaixo assinado e pedir que madame Noëla fosse nossa professora no terceiro, tendo madame Brigitte como monitora. As duas estavam de acordo e disseram que adorariam trabalhar juntas com nossa turma, assim tínhamos certeza de recuperar o que não avançamos no segundo período (a professora deu todo o conteúdo previsto para o segundo, o problema era que tínhamos condições de avançar muito mais e ela não deixou, assim acabamos não praticando tudo o que tínhamos aprendido antes). Fizemos o abaixo assinado e reuni uma pequena comissão para entregar nosso pedido ao diretor de nosso departamento, mas ele indeferiu o pedido e colocou outro professor para o terceiro período.
O terceiro período eu estudei com monsieur Fred Jacques (natural do Haiti) e a monitora foi madame Marie-Claude Julien (natural do Québec e ferrenha defensora do patriotismo). A monitora era horrível, foi a pior que tivemos. O professor era bom, mas nem se comparava a madame Noëla, afinal ele sabia muito, muito mesmo, mas não tinha a facilidade para ensinar e sua metodologia não era boa. Mas, mesmo assim, aprendemos muita gramática e praticamos muita escrita, pois todos os dias ele nos dava um ditado e algumas vezes fazíamos escrita livre, só faltava praticar conversação, que deveria ser na aula da monitora, mas ela era muito falha e não gostava de nossa turma, pois fazíamos cobranças. Como suas aulas eram um fracasso, alguns alunos começaram a “desestruturar” a aula com conversas e barulho, além de não participarem espontaneamente quando ela tentava propor alguma atividade. Algumas vezes eu mesma intervinha com o grupo para melhorar as relações com a monitora (eu era meio que considerada uma representante da turma e sempre escutavam o que eu falava), então o trabalho da monitora foi caminhando a passos lentos e deixou muito a desejar.